terça-feira, 22 de setembro de 2015

Prólogo, Livro Incipiens

Prólogo

Uma jovem correu pela rua deserta, sentindo seu coração martelar em seu peito. Ela corria com todas suas forças, com toda sua vontade. Não podia falhar desta vez.
Enquanto corria, ela acalentava um pequeno cesto entre seus braços, e dentro do cesto, aninhado um bebê dormia tranquilamente, sem imaginar o perigo que lhe rondava.
A jovem temia pela criança, tão pequena, e tão frágil e com tanto perigo pela frente.
Ela soluçou, chorando pelo que estava prestes a fazer, e por tudo que já havia perdido. Aquela criança era tudo que lhe restava.

Ela não compreendia como tudo havia desmoronado tão rápido. Como todo seu futuro brilhante havia se desfeito em pedaços. Era cruel demais, horrível demais.
Sua pequena criança não merecia tanto sofrimento. Protegeria aquele bebê de todo aquele horror.

A jovem parou diante de uma enorme porta de madeira, depositando o cesto diante dela e se inclinando sobre o bebê.
As lágrimas escorriam por seus olhos, sem que ela se preocupasse em secá-las.

__Eu preciso deixá-la... Gostaria que pudesse ser diferente... – ela soluçou – Eu a amo tanto... Por favor, me perdoe...

A jovem distribuiu beijos pelo rosto do bebê adormecido.
Ela retirou um colar do pescoço. O colar tinha um cordão prateado com uma pedra roxa. A jovem colocou no cesto, ao lado de um envelope.

__Que toda magia lhe proteja... – ela bateu na porta -... minha pequena Alice.

Um forte vento começou a soprar, e a jovem foi desaparecendo gradativamente, como se fosse um fantasma, desaparecendo completamente.

Uma velha senhora abriu a porta. Quando olhou para baixo e viu o bebê aninhado entre  cobertas seu coração se encheu de compaixão. Ela segurou o pequeno cesto e entrou na casa.

Não muito longe dali outra coisa extraordinária acontecia, um velho senhor estava sentado em sua livraria folheando seus velhos livros, quando uma estrela cadente atravessou o céu. Ele se levantou, e caminhou até a janela, a estrela cruzava o céu cada vez mais rápido, parecia estar caindo. Um clarão iluminou o céu, e um grande estrondo sacudiu a vizinhança. O velho abriu a porta e correu até onde o ponto de luz tivera origem, havia um enorme buraco no chão. Ele se inclinou e com curiosidade observou que havia algo no buraco. Um livro, que brilhava intensamente.

O velho se abaixou, e pegou o livro, que rapidamente perdeu o brilho, ele não conseguia ler a capa, estava escrito em uma língua que ele jamais havia visto em toda vida. Tentou abrir o livro, e era como se ele fosse travado, não abria.
Ele olhou ao redor em busca de algo ou alguém, nada apareceu. O velho voltou a sua livraria, com o livro nas mãos.




Nenhum comentário:

Postar um comentário