Prólogo
Uma jovem correu pela rua deserta, sentindo seu coração
martelar em seu peito. Ela corria com todas suas forças, com toda sua vontade.
Não podia falhar desta vez.
Enquanto corria, ela acalentava um pequeno cesto entre
seus braços, e dentro do cesto, aninhado um bebê dormia tranquilamente, sem
imaginar o perigo que lhe rondava.
A jovem temia pela criança, tão pequena, e tão frágil e
com tanto perigo pela frente.
Ela soluçou, chorando pelo que estava prestes a fazer, e
por tudo que já havia perdido. Aquela criança era tudo que lhe restava.
Ela não compreendia como tudo havia desmoronado tão
rápido. Como todo seu futuro brilhante havia se desfeito em pedaços. Era cruel
demais, horrível demais.
Sua pequena criança não merecia tanto sofrimento.
Protegeria aquele bebê de todo aquele horror.
A jovem parou diante de uma enorme porta de madeira,
depositando o cesto diante dela e se inclinando sobre o bebê.
As lágrimas escorriam por seus olhos, sem que ela se
preocupasse em secá-las.
__Eu preciso deixá-la... Gostaria que pudesse ser
diferente... – ela soluçou – Eu a amo tanto... Por favor, me perdoe...
A jovem distribuiu beijos pelo rosto do bebê adormecido.
Ela retirou um colar do pescoço. O colar tinha um cordão
prateado com uma pedra roxa. A jovem colocou no cesto, ao lado de um envelope.
__Que toda magia lhe proteja... – ela bateu na porta -...
minha pequena Alice.
Um forte vento começou a soprar, e a jovem foi
desaparecendo gradativamente, como se fosse um fantasma, desaparecendo completamente.
Uma velha senhora abriu a porta. Quando olhou para baixo
e viu o bebê aninhado entre cobertas seu
coração se encheu de compaixão. Ela segurou o pequeno cesto e entrou na casa.
Não muito longe dali outra coisa extraordinária
acontecia, um velho senhor estava sentado em sua livraria folheando seus velhos
livros, quando uma estrela cadente atravessou o céu. Ele se levantou, e
caminhou até a janela, a estrela cruzava o céu cada vez mais rápido, parecia
estar caindo. Um clarão iluminou o céu, e um grande estrondo sacudiu a
vizinhança. O velho abriu a porta e correu até onde o ponto de luz tivera
origem, havia um enorme buraco no chão. Ele se inclinou e com curiosidade
observou que havia algo no buraco. Um livro, que brilhava intensamente.
O velho se abaixou, e pegou o livro, que rapidamente
perdeu o brilho, ele não conseguia ler a capa, estava escrito em uma língua que
ele jamais havia visto em toda vida. Tentou abrir o livro, e era como se ele
fosse travado, não abria.
Ele olhou ao redor em busca de algo ou alguém, nada
apareceu. O velho voltou a sua livraria, com o livro nas mãos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário